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Artigo: Como transformar conhecimento científico em inovação?

Imagem: Artigo: Como transformar conhecimento científico em inovação?

O relatório anual do Banco Mundial de 2014 expôs que, pela primeira vez na história da humanidade, o conhecimento havia sido responsável por mais da metade da riqueza mundial produzida. Ao longo dos anos, essa tendência tem ganhado ainda mais força, que é comprovada pelo sucesso inegável do Google, ou de marcas como Apple, Lacoste e Nike, que se utilizam do modelo de projetar os produtos e licenciar a marca, e por último consultorias e assessorias nas mais variadas áreas.

Pesquisadores da Universidade de Oxford analisaram as profissões dos trabalhadores em vários países americanos e chegaram à conclusão de que 47% dessas pessoas têm grandes chances de perderem seus empregos para robôs e softwares de inteligência artificial nos próximos 20 anos. De forma geral, os empregos que exigem habilidades manuais ou detenção de informação, e não desenvolvimento de conhecimento, são os mais sujeitos a serem automatizados.

Nunca na história da humanidade o ser humano teve acesso tão fácil a tanta informação, da mais ampla gama de áreas de atividade humana. Porém, na era da inovação e economia do conhecimento, o Brasil ainda apresenta dificuldades em transformar conhecimento científico em inovação. Anualmente, a Universidade de Cornell e a WIPO (World Intelectual Property Organization) publicam um relatório chamado Índice Global, apresentando o perfil de cada país relacionado à inovação. A maioria das economias registra uma relação linear entre geração de conhecimento científico (insumos) e inovação (patente). Porém, apesar de investimentos em conhecimento científico, algumas economias não geram um nível correspondente de produtos de inovação, e esse é o caso do Brasil.

Entre os 100 principais clusters de inovação, definidos a partir da densidade de publicações e patentes, o único da América Latina está em São Paulo, porém com menor quantidade de patentes lançadas, se comparado com outros com a mesma faixa de publicações. Então, qual seria a melhor maneira de converter investimentos em educação, formação de pesquisadores qualificados e P&D em produtos de inovação de alta qualidade? Essa é a grande pergunta.

Até meados do século passado, as organizações se utilizavam da inovação fechada, mantendo seus próprios ambientes de pesquisa e o maior sigilo possível, uma vez que as ações em P&D eram consideradas um ativo estratégico fundamental para a empresa. Porém, esse modelo apresentava alguns desafios e dificuldades relacionadas ao encurtamento dos ciclos de vida das tecnologias empregadas nos novos produtos; aumento da qualificação profissional; mobilidade do conhecimento; aumento do capital de risco; e outros motivos que impactariam na rentabilidade do negócio. 

Com isso, surgiu o modelo aberto de inovação, cuja lógica se baseia num cenário de conhecimento abundante, em que as empresas se posicionam de forma proativa para captar os elementos que criam valor aos seus produtos. Assim, as organizações potencializam seus próprios processos de inovação ao incorporar conhecimentos externos ou mesmo atividades inteiras de geração de conhecimento. Portanto, o modelo aberto de inovação permite que a ciência do laboratório passe a ser cada vez mais trazida ao mercado, além de impulsionar uma nova modalidade de P&D&I, baseada em start-ups, Hubs Tecnológicos, etc. 

Nesse sentido, vale citar o Accelerate 2030, um programa global, co-iniciado pelo Impact Hub e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com o objetivo de escalar globalmente negócios que estejam em fase de crescimento e alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que abordam temas como, por exemplo, disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos, combate à mudança do clima, conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos.

Além das mudanças de mercado e iniciativas como o Accelerate 2030, agentes que conectam instituições, pesquisadores e empresas são cada vez mais importantes para fomentar a transformação de conhecimento científico em inovações que agreguem valor à sociedade.

Essas questões embasam a visão de futuro da Fundepag, com os cenários e desafios moldando estratégias, soluções e produtos baseados na experiência de 40 anos de atuação junto à pesquisa e inovação para agronegócio e meio ambiente. Saiba mais em http://portal.fundepag.br/.

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Autor(es) do Post
SERGIO TUTUI
Diretor Executivo
Você pode obter mais informações através do e-mail stutui@fundepag.br