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Artigo: A gestão sustentável dos petrechos utilizados na pesca e aquicultura

Imagem: Artigo: A gestão sustentável dos petrechos utilizados na pesca e aquicultura

As atividades humanas têm impactos de magnitudes e tipos diversos no ambiente, com implicações diretas no clima, qualidade do solo, ar e água. Em ambientes aquáticos - como, lagos, rios, estuários e oceanos -, os impactos causados pelos resíduos sólidos não têm poupado nem os lugares mais remotos do nosso planeta.

Desde 2018 a ONU Ambiental vem intensificando seus esforços para tratar o problema do lixo no mar, considerando que 80% desse lixo é composto por plástico e as estimativas sugerem 10 milhões de toneladas anuais de plásticos lançados nos mares.

Em esse cenário se mantendo, é possível que, em 2050, a quantidade de plásticos na água supere a de peixes e que o número de partículas de microplásticos nos mares supere a quantidade de estrelas na nossa galáxia.

O artigo "Avaliando cenários para a poluição zero por plástico", publicado recentemente na revista Science, sugere que essa estimativa ainda pode aumentar em 20 anos para valores próximos a 30 milhões de toneladas anuais se nada for feito para diminuir, de forma significativa, a entrada desses materiais nos oceanos.

Argumentos cada vez mais contundentes alertam para ações emergentes de alteração na cadeia de valor do plástico por meio da redução no consumo do material, incentivos ao reuso, implantação de sistemas eficientes de logística reversa e reciclagem dos resíduos.

O que a atividade pesqueira tem com os plásticos?

Quase a totalidade dos petrechos de pesca são confeccionados com materiais sintéticos - a plástico-dependência. Assim, o ciclo de vida dos petrechos de pesca tem início nas indústrias, a partir dos polímeros sintéticos, tais como poliamida, polietileno, polipropileno e poliestireno, todos persistentes no ambiente.

Esses materiais são introduzidos no mar, rios, lagos, represas e açudes pela cadeia produtiva do pescado e, quando abandonados, perdidos ou descartados, geram graves impactos ambientais e econômicos, como a pesca fantasma, que causa a morte de animais marinhos, além de gerar microplásticos.

Utensílios como redes, linhas, chumbos, boias e estruturas de aquicultura frequentemente são perdidos devido ao mau tempo, pesca ilegal, falhas nas operações de pesca ou descartados incorretamente nos ecossistemas aquáticos pela atividade pesqueira e causam poluição, prejuízo econômico, bem como, o sofrimento e morte dos animais destes ambientes.

A pesca fantasma assusta? 

Sim, assusta – e muito! Segundo a ONU Ambiental, cerca de 640 mil toneladas de petrechos de pesca perdidos ou abandonados vão parar nos mares e oceanos a cada ano. Isso significa que, para cada 125 toneladas de pescado, uma tonelada de petrechos é abandonada.

Dessa forma, esses materiais perdidos podem interagir com os animais ocasionando a pesca fantasma, que ocorre quando o petrecho de pesca perdido no ambiente aquático tende a continuar a capturar, ciclicamente, os animais. Trata-se de um problema de escala mundial e que causa grande impacto também nas águas brasileiras.

Soluções sustentáveis existem?

As causas e os impactos da pesca fantasma, associada a outras questões urgentes que afetam a sustentabilidade das pescarias - incluindo as pescas ilegal, não declarada, não regulamentada e segurança alimentar -, torna a gestão responsável das artes de pesca de alta prioridade.

Os petrechos de pesca fantasmas podem ser considerados como um passivo ambiental gerado pela pesca e aquicultura que impacta economicamente a própria atividade, afetando as capturas e a própria qualidade dos produtos - ou seja, os alimentos para consumo. Há dez anos, o Instituto de Pesca da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolve projetos com soluções sustentáveis para a gestão desses resíduos plásticos que podem ser implementadas em todos os tipos de produção na pesca. Confira algumas dessas soluções.

-P&DI
Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para prevenção e mitigação, estudos de logística reversa para reciclagem, estudos de novos produtos com alto valor ambiental agregado por meio da ecoinovação.

Assim, entendemos o ciclo de ponta-a-ponta, buscando soluções locais e pensando no aspecto global desse problema que afeta os oceanos de todo planeta.

 -Logística
Logística reversa para reciclagem

-Ecoinovação
Novos produtos com alto valor ambiental agregado por meio da ecoinovação

Assim, trabalhamos para fechar o ciclo de ponta-a-ponta, buscando soluções locais e pensando no aspecto global desse problema que afeta os oceanos de todo planeta.

Mais informações acesse http://bluelinesystem.blogspot.com/

 

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Autor(es) do Post
Luiz Miguel Casarini
Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo